22 de Fevereiro de 2012 (quarta-feira de cinzas)

Hoje foi praticamente um dia de folga em nossas gravações. Apenas o Léo foi ao estúdio para desmontar sua bateria e ouvir cuidadosamente todos os takes gravados nos dois dias anteriores. É sempre importante fazer uma audição do que gravou com o ouvido descansado, pois sempre algum detalhe indesejável pode passar.

Como fiquei de folga das gravações, e a maioria de meus alunos me deu cano no Conservatório Souza Lima, aproveitei o dia para estudar as partes que irei gravar, para colocar alguns assuntos em dia e para pensar um pouco na trajetória da banda, afinal estamos indo para o nosso terceiro álbum (além de 3 singles), e nesse ano completaremos 10 anos de banda. Todos os meus projetos anteriores, por mais que fossem bem sucedidos, nunca passaram de um primeiro disco (alguns nunca chegaram tão longe) e jamais duraram tanto. Fiquei pensando nessa longevidade do Diafanes, e sobre todas as coisas que mudaram desde o começo até hoje em dia.

Depois de um tempo, percebi que perguntar sobre o que mudou de lá para cá não era tão interessante como perguntar sobre o que permaneceu. Quer dizer, o que ficou inalterado entre o projeto que começou em meados de 2002 e a banda que existe hoje para que nós continuemos chamando de “Diafanes”? Pensar no que mudou é fácil, pois muita coisa mudou. A começar pelo integrantes, já que das pessoas que entraram no estúdio para gravar o See Through só duas ainda estão na banda (a Lorena e eu), e os novos integrantes (o Léo e Leandro) são músicos completamente diferentes de seus antecessores. Além disso, estamos todos 10 anos mais velhos (óbvio!). Mas isso quer dizer, que mesmo eu e a Lorena somos pessoas muito diferentes hoje em relação àquelas que gravaram o primeiro disco, pois temos a experiência de todas as sessões de gravação que participamos, de todas as turnês que fizemos, de todos os shows, etc.

É claro que muita coisa mudou, não poderia ser diferente. Tudo que evolui, evolui porque muda. Mas o que permaneceu? Bom, essa é uma pergunta que eu acho bem mais profunda. Em primeiro lugar permaneceu a Lorena, que é a idealizadora do projeto original. A primeira fagulha de sonho de se montar essa banda veio da cabeça dela, e essa fagulha ainda está causando incêndios. Eu também permaneci, e apesar de ter entrado na banda após alguns meses de ter sido formada, eu sempre compartilhei dessa ideia original (mesmo antes de ser um membro oficial da banda). Além disso, a Lorena e eu somos os compositores principais desde o primeiro álbum, o que deu uma certa unidade ao nosso som (apesar de nossas músicas soarem tão diferentes hoje em dia). Há também outra coisa a considerar, de que as nossas escolhas para substituir os músicos que sairam foram pensando em manter essa unidade, ou seja, procuramos músicos que se identificassem com o projeto.

Mas, no fim das contas, o que eu realmente acho que não mudou foi o amor que todos nós (membros atuais e antigos) temos por fazer música! Compomos, fazemos arranjos, ensaiamos, tocamos ao vivo, gravamos, mixamos masterizamos, etc, com a mesma disposição, o mesmo prazer e a mesma alegria que sempre tivemos. Adoramos fazer música, e adoramos fazer isso juntos. Isso nunca mudou e nunca irá mudar, e é por isso que eu tenho certeza de que essa longividade do Diafanes se preservará por outras décadas. Que venham outros 10 anos!!

 

23 de Fevereiro de 2012

Acordei e cheguei no estúdio muito cedo hoje, e já encontrei a Lorena, o San e o Leandro trabalhando (muito cruel trabalhar tão cedo). Hoje foi o início das gravações de baixo, e a má notícia é que o Leandro estava com um enorme corte no dedo médio da mão esquerda (fruto do excesso de estudo nos dias anteriores). Ele foi contornando essa situação colocando superbonder com uma seringa para fechar o corte (juro por Deus que isso é verdade!).

Depois de mais ou menos duas horas passando o som, experimentando timbres, etc, o Leandro começou a gravar a música nova de Koto (precisamos dar um título logo para essa música, ao menos para evitar confusões semânticas). O linha de baixo que o Leandro fez para essa música tem diversas melodias que imitam por aumentaçào as linhas do koto e da guitarra, e o resultado ficou excelente.

Em seguida, depois de umas doses de superbonder, foi a vez de “Musk”. Grande parte do clima árabe dessa música se deve as melodias dobradas de baixo e guitarra com a escala octatônica (também conhecida como escala diminuta). Esses riffs são bem rápidos e foram necessários alguns takes para que soassem precisos. Tudo em nome do capricho! Mas o esforço valeu a pena, pois no final o baixo ficou com um baita timbre e com execução perfeita.

A música seguinte foi “Ave”. O Leandro e o San chegaram a conclusão que seria melhor gravar com uma caixa com um falante de 15’, ao invés com a de quatro falantes de 10’ (que foi usada para gravar as duas primeiras músicas). A troca foi providencial pois o timbre ficou bem mais encorpado, o que foi perfeito para fazer a linha de baião que ele toca nessa música. Ele gravou essa música em praticamente um take, mas daí o corte que ele já tinha no dedo abriu de vez e nem o superbonder mais dava resultado. Foi impossível prosseguir, mas o resultado das gravações de hoje já era extremamente positivo!

Depois disso, fizemos uma rápida reunião e decidimos que seria melhor adiar as gravações de baixo para que o dedo do Leandro possa cicatrizar, e com isso as minhas sessões foram adiantadas. Isso quer dizer que já começo a gravar amanhã pela manhã, mas poderei apenas gravar as músicas que já tem baixo. Isso muda um pouco a lojística que tínhamos planejado, mas não será um grande problema. Em todo caso, boa sorte para mim!

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Leandro De César – 23/02/2012

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Leandro De César – 23/02/2012

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Leandro De César – 23/02/2012

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Amplificador Music Man ligado a duas caixas Ampeg

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Válvulas

 

 

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