24 de Fevereiro de 2012

Hoje foi meu primeiro dia de gravação. Na verdade nós acabamos mudando os planos porque hoje era para continuar as sessões de baixo, mas como o Leandro cortou o dedo acabamos trocando. Por conta dessa troca, eu fui obrigado a começar com as músicas que já tinham o baixo gravado: “Musk”, “Ave” e a música de koto que ainda não tem título.

Cheguei pela manhã (levei uma garrafa térmica com meio litro de café), montei meus pedais e meus 3 amplificadores (dois Marshall JCM800 – combos 2X12 e um Marshall JTM45 – combo 2X12).

Comecei gravando a música que ainda não tem título. Escolhi a minha nova guitarra Seizi pintada, meu pedal GF Valve Drive e meu JCM800 mais antigo. O San microfonou o falante esquerdo com um Shure SM57, o direito com um Sennheiser E609 e usou um Neumann TL103 como microfone de ambiência. Entre todas as músicas do disco, essa era a mais fácil para gravar, então tudo foi relativamente rápido. Gravei todas as guitarras com essa configuração, e depois dobrei trocando o Valve Drive por um OD-1 da Boss. É bem legal fazer dobras de guitarra com pedais ou amplicadores diferentes, os timbres que se somam ficam sempre interessantes.

Em seguida, passei para gravar as guitarras pesadas de “Musk”. Nessa música usei a minha Seizi surf green, que é a minha guitarra mais antiga. Depois de muitas tentativas de achar o timbre ideal, acabamos optando por gravar num Marshall JCM900, com uma caixa 4X12. Isso fez com que o Leandro ficasse tirando sarro de minha cara durante muito tempo, já que eu sou um grande crítico dos JCM900. Mas apesar de minhas convicções, sou uma pessoa flexível e adaptável, e admito que para o timbre pesado de “Musk” esse amplificador soou melhor que o JCM800. Depois de gravar essas linhas pesadas, a sessão acabou, e eu fui dar aula feliz com o resultado.

Voltei as 22:30, depois de ter dado aula no Souza Lima, para terminar as gravações das guitarras de ”Musk”. Comecei pelas dobras das linhas pesadas que havia feito pela manhã. Dessa vez o Leandro teve muito mais razões para tirar sarro da minha cara, pois usei um Mesa Boogie Triple Rectifier com uma caixa 4X12, e esse amplificador eu gosto ainda menos do que o do JCM900. Inicialmente eu estranhei um pouco, o timbre estava meio Heavy Metal demais, mas aos poucos conseguimos tirar um timbre bem legal (como disse antes, sou flexível e adaptável). Os riffs rápidos de “Musk” soaram incrivelmente pesados com as dobras de guitarra e baixo, fiquei cem por cento satisfeito.

Depois disso, pluguei meu JTM45 para gravar o interlúdio da mesma música, que é uma parte bem tranquila em que a guitarra e o baixo sustentam as linhas de vocal em contraponto. Mesmo quando tenho essas partes fáceis para gravar acabo gastando muito tempo, pois a cada troca de amplificador é necessário microfonar tudo de novo. Por isso, quando terminei toda a base, já era uma da manhã. E ainda faltava o solo.

O solo de “Musk” é uma dobra de guitarra com bateria. Ele é todo feito com a escala octatônica e tem uns ritmos bem encrencados. Sofri mais de uma hora para achar o timbre ideal, porque queria algo bem diferente e estranho. A solução do San foi incrível! Ligamos o JTM45 no volume máximo, com um jump para o JCM800, que também estava no máximo. Posicionamos os dois amplificadores de costas um para o outro, e o San colocou o Neumann entre os dois, voltado para cima para pegar as reflexões do teto (coisa de doido). Tive de tocar na técnica, pois o volume estava tão alto que se eu ficasse na sala o feedback era incontrolável. O resultado ficou incrível! É muito bom tocar em uma banda que permite esse tipo de experimentações. No fim acabei usando quatro amplicadores em “Musk”: JCM800, JCM900, JTM45 e o Mesa Boogie. Por hoje foi isso, gravei duas músicas inteiras. Amanhã tem mais, irei gravar “Ave”.

24

Estúdio Nimbus – 24/02/2012

25

Estúdio Nimbus – 24/02/2012

26

Estúdio Nimbus – 24/02/2012

27

Estúdio Nimbus – 24/02/2012

28

Estúdio Nimbus – 24/02/2012

 

Equipamentos do disco:

Guitarras – Seizi custom (pintada pela Lorena), Seizi strato surf green, Seizi strato creme. Todas com dois pick ups DiMarzio Virtual Vintage e com ponte Fender American Standart.

29

Seizi Custom (pintada pela Lorena Hollander)

30

Seizi strato surf green

31

Seizi strato creme

 

Pedais (da esquerda para direita na foto):

Whammy da Digitech, Envelope Filter FX25b da DOD,  Overdrive OD-1 da Boss,  Tube Screamer TS9 da Ibanez, ValveDrive da GF, Phaser da GF, Super Chorus da Boss (CH-1),  Analog Delay da GF, Digital Delay DD2 da Boss, Digital Delay DD3 da Boss. Todos os pedais são montados em dois pedalboards Boss BCB-60.

 

32

Meus pedais

 

Amplificadores:

Marshall JCM800 2X12 com falantes Eminence, Marshall JCM800 2X12 com falantes Celestion, Marshall JTM45 2X12 com Celestion Greenback, Marshall JCM900 4X12 com falantes Celestion e Mesa Boogie Triple Rectifier 4X12.

 

33

Tralha completa!

 

25 de Fevereiro de 2012

Não precisei acordar cedo hoje, pois as sessões começaram as 13:30 hs. Hoje eu gravei “Ave”, uma música com muita influência de Baião e que tem diversos timbres de guitarra. Eu saberia que por causa dessa variedade de timbres essa sessão seria difícil, pois teria de mudar diversas vezes de amplicadores, pedais e microfones, e realmente foi.

Essa música eu toquei com a minha Seizi creme, com o ideograma japonês no escudo, e com os JCM800 e 900. A introdução da música é feita só com guitarra e voz. Eu usei um delay DD2 da boss para fazer um efeito que lembra um fole de sanfona, para realçar esse efeito eu toquei as notas omitindo o ataque da palheta com o botão de volume (volume swell). Dobrei três linhas harmonizadas (estou ferrado para tocar isso ao vivo).

Depois, para aproveitar o mesmo timbre, toquei o interlúdio da música. Apenas troquei o DD2 Boss pelo Analog Delay da GF, porque precisava de um som mais orgânico. Essa é uma parte mais melancólica e que me lembra um pouco Pink Floyd, e eu aproveitei para gravar uma outra guitarra fazendo os acordes com um timbre um pouco mais psicodélico (veja o vídeo abaixo). O San comprou de cara a idéia e programou um pan que fica alternando o canal esquerdo e direito de forma randômica. É muito bom trabalhar com um produtor que já conhece a banda!

Depois gravei a base das estrofes e dos refrões. Dobrei som limpo com distorcido, essa mistura sempre me agrada. Ainda usei o meu Phaser da GF para um efeito no refrão da música. Tantas trocas de timbres acabaram tomando todo o meu tempo de estúdio, e acabou não dando tempo de gravar o solo (que ficou para amanhã).

 

26 de Fevereiro de 2012

Hoje gravei o solo de “Ave”, a última parte que faltava entre as músicas que já tinham baixo. Deixei um bom tempo reservado para fazer esse solo, pois sabia que teria algumas dificuldades. Os meus solos normalmente nascem de improvisos que faço nos ensaios, ou seja, cada vez que repito a música vou aprimorando e escolhendo as partes que ficarão na versão final. Acontece que o solo de “Ave” demorou muito para ficar, e eu só o terminei no último ensaio, que foi um dia antes do início das sessões de gravação. Então, não tive muito tempo para estudar.

Como sempre, o mais demorado foi achar o timbre timbre perfeito. Comecei essa busca plugando a minha Seizi creme no OD1 da Boss e no JCM800. Tentamos várias combinações de microfonação, mas não conseguimos passar para a gravação o som que eu ouvia na sala. Depois de um tempo eu resolvi adicionar o Valve Drive com uma regulagem de booster (drive no 0, volume no 10), o que se revelou uma ótima idéia porque adicionou o médio-grave que estava faltando. Acabe gravando com essa configuração.

Esse é um solo completamente diferente de tudo que já fiz anteriormente, porque ele é tocado sobre uma harmonia feita por vozes.  Isso quer dizer a base do solo é composta apenas por duas linhas de vozes harmonizadas que ficam em um ostinato e repetindo uma letra meio em inglês, meio em português (idéia incrível da Lorena). Esse foi o motivo de eu ter tanta dificuldade para compor esse solo nos ensaios, já que precisava que minha guitarra meio que costurasse essas duas melodias e se destacasse como solo, mas ao mesmo tempo não atrapalhasse o entendimento do texto que elas cantam.

Nos primeiros takes o San chamou atenção para o fato de que eu estava muito preocupado com o metrônomo, procurando tocar de forma mais técnica mas sem muito suingue. Conforme fui repetindo os takes, consegui me soltar e o solo de “Ave” finalmente nasceu (veja no vídeo abaixo).

No final dessa sessão, pedimos ao San para fazer um bounce das três músicas que já tinham bateria, baixo e guitarra. Pela primeira vez pudemos ouví-las na sequência e eu confesso que fiquei até meio emocionado, pois tive a nítida sensação de que esse novo disco representa uma evolução muito grande em relação aos anteriores.

Voltamos à noite ao estúdio para gravarmos mais linhas de baixo. O dedo do Leandro já está um pouco melhor (aparentemente o super bonder é um excelente remédio), e ele já tem segurança de gravar algumas músicas.

Ele iniciou com “Griffin’s Shadow”, uma música bem pesada a qual tocamos com a sexta corda em Ré. Essa foi a primeira música que fizemos para esse disco, e ela já está em nosso setlist de shows a um bom tempo. Por isso, apesar de ser uma longa música, com diversas partes e diferentes climas, ela já está “emabixo do dedo”, e o Leandro gravou-a rapidamente.

Em seguida foi a vez de Sakura, que também é uma música que tocamos ao vivo há um bom tempo. Novamente não surgiram grandes dificuldades, e depois de dois takes a música já estava gravada.

O Leandro ainda queria gravar “Period”, mas todos nós estávamos realmente muito cansados, e resolvemos passar essa música para a sessão de amanhã. Provavelmente serão essas músicas que ele poderá gravar sem que o corte de seu dedo atrapalhe, mas já é excelente, pois já terei bastante coisa para gravar na semana que está entrando.

Comments.

Currently there are no comments related to this article. You have a special honor to be the first commenter. Thanks!

Leave a Reply.

* Your email address will not be published.
You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>